DEUSZEBUL

Black Metal, Grindcore e Crust diretamente de Natal/RN

CHANCHO

Hardcore/Powerviolence de deixar Natal/RN numa quentura só!

DISSIDENTES

Punk Rock maravilha desta banda de Guarulhos/SP

COLETA ANTI SELETA #01

Primeira coletânea do blog Licor de Chorume

AS ARTES DE MIKE KNIGHT

Talento, subversão e espírito DIY

CHACAL

Hardcore melódico em alto nível no primeiro álbum da banda

29.5.15

Motor City Madness - Dead City Riot (2015)


Motor City Madness é uma banda que te faz voltar a ter a plena ideia de vivenciar o ambiente sujo do rock e ser livre sem restrições. Digo isto muito por conta do novo álbum do quarteto lá de Porto Alegre, o petardo "Dead City Riot", que segue a mesma linha do disco anterior, punk, garage rock e stoner sem enrolação e direto, com riffs maravilhosos, graves que lascam com as caixas do system, batidas frenéticas e vocal tratado com gengibre, cana e mel. Temático, a bolacha conta com 11 cantigas que falam de uma cidade podre e morta, habitada pelo resto de seres tortuosos, zumbis e derrotistas, em 23 minutos de muito rock intenso, que merece ser ouvido em algum boteco boca-de-porco, consumindo bebida barata em copo americano completamente e levando o sentido do rock-podre ao pé da letra. A bela arte de capa é do incrível Daniel ETE e retrata bem toda a mensagem que a banda passa através deste belo disco. 
Comparando com bandas goianas, eu diria que a Motor City Madness seria uma junção bem melhorada e suja de Hellbenders e Black Drawing Chalks, bailando quase todo final de semana no Capim Pub sem nenhuma frescura. Sincero e forte, a sonoridade destes cabras é algo que merece ser bem valorizado, pois não é sempre que deparamos com algo tão original, portanto, o lance é ouvir sem restrições e sair de vez da linha reta da vida falsa.

Página da banda: Motor City Madness

Ouça e baixe o disco "Dead City Riot" aqui:



26.5.15

Disforme & Manger Cadavre? - Limbo - Split (2015)


Depois de um final de semana maravilha, a segundona começa bem agressiva neste espaço virtual de cultura subversiva. Desta vez apresento-lhes o incrível Split "Limbo", que junta as bandas Disforme e Manger Cadavre? num dos principais lançamentos deste nosso underground neste ano. 

Disforme é daqui de perto, da vizinha Brasília/DF, formada atualmente por Tainara (voz), Negrete (guitarra), Petrônio (baixo) e Marcelo (bateria) e que manda um hardcore/punk direto, sincero e minimalista. Conheci e acompanhei a banda através dos registros "64 Nunca Mais" e "Mais um Número" e o quarteto volta ao cenário com este maravilhoso Split, mostrando 4 cantigas que abordam temas como o machismo e exploração humana, destaque para as músicas "Cães e Porcos", "Miragem" e "Seu Corpo" que mostram bem a característica própria do hardcore cru candango. 

A Manger Cadavre? é lá de São José dos Campos/SP e eu conheci o som da banda através do EP "Origem da Queda".... Formada por Nata de Lima (vocal), Jonas Godói (guitarra), Marcelo Augusto (baixo) e Marcelo Kruszynski (bateria), esta quadrilha em formato de conjunto musical agressivo, espalha o barulho através do hardcore/crust desde os perdidos de 2011. Nesse registro, chegam com 4 músicas bem pesadas que falam das atormentações do cotidiano e da extrema exploração do trabalho/consumo, merecendo destacar as faixas "Existimos", "Orbis" e "Trabalhe, Consuma, Morra", além da incrível força do vocal da Nata. A banda é um dos destaques dessa nova safra da cena paulista e que representa muito bem o cenário do Vale do Paraíba. 

É meio que bater na mesma tecla no decorrer destes anos tortos, mas registros como o "Limbo" são necessários para o fortalecimento desse nosso círculo. Primeiro pelo fato de apresentar duas bandas de estilos distintos e com ideias semelhantes que se encontram num mesmo esquema e segundo que a união de selos/distros fazem o trampo rodar este país de uma forma mais rápida e dá a possibilidade de atingir e entortar a vida de mais pessoas. A coincidência (ou não) das duas bandas possuírem vocais femininos, cada qual com seu estilo, também é um atrativo diferente, pois aprecio muito os grupos com mulheres nos vocais e sinto falta de ver isso de uma maneira mais rotineira.

O lançamento ficou por conta dos selos Two Beers Or Not Two Beers, Terceiro Mundo Chaos, Zuada Distro, Poeira Maldita Distro, Seein' Red e UK, com a belíssima arte de capa levando a assinatura de Marcelo Augusto. Posso dizer sem nenhum receio que este é um artigo indispensável na coleção dxs amantes do submundo sonoro nacional, pois toda a concepção deste registro está impecável, com ótimas gravações, músicas, letras e parte gráfica, portanto ouça o disco logo abaixo, adquira a sua cópia com a distro/selo mais próxima de sua residência e dê mais vida ao nosso adorável subterrâneo. Foda!


Página da banda: Disforme

Página da banda: Manger Cadavre?

Ouça a parte Disforme aqui:



Ouça a parte Manger Cadavre? aqui:

21.5.15

RENEGADES OF PUNK (SE) EM GOIÂNIA NO MÊS DE JUNHO




Dia 14 de junho teremos o prazer de receber em Goiânia uma das prediletas bandas entre todas. Diretamente de Sergipe vem Renegades of Punk, trio que esbanja fúria e amor em matéria de punk rock desde que a monotonia deixou de habitar seu coração. Refrões serão cantados em tom de lágrima e melodias grudentas deixarão colorido o setor Central. Caso não se identifique com o lírico ou não se encante com os agudos, lamento, mas tem alguma coisa errada por aí. 

Pra abrir a festa teremos dois expoentes locais: primeiro, os Bang Bang Babies na melhor fase de seu balanço, e, em sequência, os reprovados no teste da vida do Tirei Zero. O abrigo será o Gas 07, antigo Rocklab, requintadíssimo espaço situado no parapeito de Goiânia e ideal para recepções calorosas de pequeno porte. O investimento te custará uma bagatela de $10, honorário honesto em se tratando do que é: tudo por nós e tudo pra nós.
Vem com a gente. 

RENEGADES OF PUNK (SE)

Poderia citar uma cacetada de referência, mas troco os comparativos por qualquer sinônimo de "coisa boa". Intenso, honesto e renegado, o trio sergipano vem mostrar que ser fora de compasso, ter carisma e se preocupar com timbres esmerados caminham lado a lado. Primeira vez em Goiânia. 


TIREI ZERO

Rock pra quem perde a inscrição do vestibular porque não tem identidade ou pra quem até passa na prova, mas demora um quádruplo de ensino médio pra formar. Fora isso são só quatro amigos querendo pular alto e tocar punk rock com entrega. 


BANG BANG BABIES

A prova que o teste do tempo faz bem pras pessoas é o amadurecimento dos Bang Bang bêbados, melhores do que nunca e provavelmente os piores desde sempre. Fora isso, um dedo de Oblivians com ondas altas e balanço dão o tom da banda mais astral de Goiânia. Não vacile no horário e tire a prova dos nove.


SERVIÇO:

MEDUSAMENTE E PRETEXTO DE VAGABUNDO EDIÇÕES APRESENTAM:

RENEGADES OF PUNK (SE) 
TIREI ZERO 
BANG BANG BABIES

Domingo, 14/06/2015.

Local: Gas 07 (Rua 07, Nº 475, Centro – Antigo Rocklab, ao lado do Pathernon Center).

Horário: 17 horas

Investimento na sua qualidade de vida: $10




Flyer: Medusamente e Pretexto de Vagabundo Edições

Texto: Júlio Baron

14.5.15

C.R.A.C.K & Alchemy of Sickness (Malásia) - Split (2015)



O fast conjunto C.R.A.C.K já figurou neste seboso espaço algum tempo passado e desta vez volta pra apresentar o seu mais recente trampo, o split dividido com a banda da Malásia Alchemy of Sickness. Com uma pegada bem agressiva que mescla o grindcore e crustpunk, o lado sonoro podre dos paulistas consiste em 3 faixas que interligam 6 músicas. Mais bem trabalhado que o registro anterior e com influência da velha escola do grindnoise macabro, o destaque vai para as boas mesclas entre introduções cadenciadas e o fastviolence que extrapola os limites da anti-música. Protesto social e sujeira sonora de qualidade, recomendadíssimo para simpatizantes de bandas como Disrupt, Hutt, R.O.T, Disfear e sonoridades extremas do naipe. Ouça, pois o esquema tá lindão!



Ouça o Lado C.R.A.C.K aqui:

Ouça o Lado Alchemy of Sickness aqui:

13.5.15

Síndrome - Oito Minutos de Síndrome - Demo (2015)

Síndrome é uma banda nova da cena paulista e que chega pra abalar o seu sistema nervoso e sanguíneo com a lindíssima demo virtual "Oito Minutos de Síndrome", primeiro trampo do conjunto de cantiga veloz formada por Gregório Paoli (Veneno Lento, Busscops), Nino (Discarga, Eu Serei a Hiena, Jesus Macaco, Bastardo, Abuso Sonoro), Pedro e mais alguma mente torta que irá compor este belo time podre. O disco conta com 7 cantigas que exploram o hardcore/punk com fortes raízes no ambiente underground paulistano dos anos 2000, valendo destacar as potentes "Morrer aos Trinta" e "Saíam do Centro", as cadenciadas descompassadas "Pasquale" e "Cabeça de Tédio", a inusitada baladéx decadente "Carta Aberta" e "Campanha de Despovoamento do Mundo", a melhor em minha tosca opinião chula. Você que identifica-se com bandas como Naifa, Discarga, Morto Pela Escola, Futuro e afins, a Síndrome é uma paulada certeira na sua moleira, hardcore sincero e com ótimas letras que vai fazer sua vida entortar ainda mais nesse mundo bizarro, mas que ainda vale à pena teimar. O sutberrâneo sonoro respira bem, e muito disso é por conta de materiais maravilhosos como este que tive o prazer de escutar e rasurar. Ouça, indique, espalhe e sempre que possível consuma o que é produzido dentro do underground. É isso!

Página da banda: Indisponível




Ouça e baixe o disco aqui:

7.5.15

Domingo de Surf no Skate em Goiânia

Domingo é um dia complicado pra sair de casa, principalmente quando pensa-se na maldita segunda-feira de trabalho e/ou estudo, mas de vez em quando algumas ocasiões são bem atrativas pra fazer a pessoa levantar a carcaça corporal atacada pelo reumatismo e deixar de lado o futebol, compromissos familiares e a preguiça descomunal. Tá, superei alguns desses fatores e rumei para os lados do Jardam (aka Jardim América), pois nas imediações do bairro aconteceria uma tarde/noite frenética de Skate Punk e Surf Music com as bandas Tirei Zero e Beach Combers, num local inédito pra mim, o Estúdio Sonoro.

Cheguei relativamente cedo no local, fiquei moscando por um tempo, vi uma quadrilha de gambés parando uns moleques que estavam dando um pião de Audi e pude acompanhar a chegada elegante de parte do público, tudo muito calmo e morgante até então. Na medida em que o tempo avançava, conhecidxs adentravam e as boas prosas fluíam naturalmente, acompanhadas de maravilhosas latólas geladitas de antárctica comercializadas por um preço justo e compatível com o bolso lascado pela falta de verba de fim de mês.

Com uma discotecagem bem agradável em que pude ouvir um bom "Raise the Black Flag", hit da magnífica Skate Aranha, e outras pedradas do naipe, o clima ia encorpando e o baile ficando cada vez mais elegante, até que acordes distorcidos saíam dos poros do estúdio e a Tirei Zero preparava-se para o ritual sonoro. Tinha tempo que eu não via os cabras em ação e o mais incrível pra mim foi ver a evolução do Vitim na banda e saber que a bicheira que castigava as costas do baterista Julio, parecia ter sido amenizada, nada que um excelente álcool com arnica não resolvesse aquela infame enfermidade. Introduçãozinha cabulosa, livre experimentalismo guitarrístico, Bruno e a sua incrível capacidade de dar estrelinha e ainda segurar bem as cordas grossas, Julio sapecando na percussão como de costume, Pedrim sendo o frontman que o underground sempre precisou e em minha imaginação fértil eu conseguia ver ali o JFA alimentado com pequi, gueroba e suco de tamarindo. 
Saí muito satisfeito da apresentação, estava bem escuro na parte externa do Sonoro e a expectativa pra ver a banda carioca de surf music era grande. Não conhecia o som e o que eu ouvi através do youtube tinha agradado bastante. Bebi mais algumas ampolas antes da apresentação do trio e quando os acordes vazaram da salinha aconchegante do estúdio, acelerei meus passos largos e imediatamente fui transportado para o ambiente praiano dos anos 60 da Califórnia fervente. Meu dorso não conseguia ficar estático e ora ou outra eu dobrava ridiculamente meus joelhos, uma mera alusão tosca à prática esportiva em riba da prancha grande. Muito louco o visual dos bacharéis integrantes do conjunto, a sonoridade e toda a proposta, saí dali muito entusiasmado com o esquema sonoro dessas doidos cariocas.

Achando que grand finale já havia ocorrido e que eu iria capar o gato pro rumo da pecuária, eis que uma surpresa punk invadiu aquela noite agradável, era uma banda do lendário Fal (Rollin Chamas), se eu não me engano a banda é conhecida pela graça de Caçadores de Cabeça e mandou um punk rock tradicional dos mais legais de ouvir. Por fim, terminei algumas prosas, vazei alegre pelo evento e triste pela segunda-feira que estava por vir. Muito foda, valeu Mandinga Records e que outros destes venham pra alegrar nossas vidas tortas!

Fotos por: Renato Vital

Este escrito foi feito ao som de Figueroas


4.5.15

Garrafa Vazia - Back to Bacana (2015)



Garrafa Vazia é uma banda ativa e conhecida ali da cena underground do interior paulista, que já figurou por algumas vezes neste seboso espaço virtual e que volta com o seu novo trabalho, o disco "Back to Bacana",  que perambula pelos becos obscuros do subterrâneo sonoro desde o final do mês de março.
A bolacha conta com 8 cantigas, na pegada já conhecida deste trio formado por Mário Mariones (voz e baixo), Hebert (voz e guitarra) e Vadio (backing vocal e bateria), punk rock 77 com fortes influências do ambiente interiorano. Bailante do começo ao fim, em pouco mais de 12 minutos a banda mostra o humor visceral de sempre (marca dos cabras), refrões que grudam e cachaça pra honrar o nome do conjunto musical. Destaque para as músicas "Back to Bacana", "Viva o Irracional", "Incurável Coriza" e "Hard Rock no Pesqueiro", para a maravilhosa arte de capa que leva o rabisco do raparigo Luiz Berguer e pela incrível e rápida produção do disco, gravado em poucas horas no Estúdio Pé de Macaco S/A
Então é o seguinte, se você gosta de punk rock tradicional, de farra com as amizades e leva a vida sem muito compromisso, a ideia e a mensagem desse disco vai refrescar a sua goela e deixar a sua vida mais torta. Ouça!

Página da banda: Garrafa Vazia

Ouça o disco "Back to Bacana" aqui:

30.4.15

Crânula - Human Savage - EP (2015)


Conheci a Crânula em 2013 com o lançamento do seu primeiro disco, o EP "Paralaxe", registro que veio na época com um proposta diferente de tudo que estava rolando no cenário da cantiga extrema deste país, e agora, neste confuso ano de 2015, a banda retorna abalando o sistema com o seu segundo EP, que recebe o título de Human Savage.
A bolachita é composta por 6 cantigas, uma mescla pesada e técnica de Death Metal, Grindcore e Death Progressivo, junção sonora cabulosa muito bem orquestrada por Caio Augusttus (vocal), Rodrigo Buitoni (guitarra) e Rodrigo Hiroito (bateria). Destaque mais que necessário para as linhas de bateria, o caldo de cana tirado das cordas finas em forma de riffs densos e acelerados e a maravilhosa sonoridade pertubante/agressiva do vocalista Caio, que também é gritador oficial da magnífica Desalmado. Das músicas, todas foram muito bem agradáveis aos meus porcos ouvidos, tornando uma tarefa bem difícil de destacar uma ou outra, mas "March of Wolves" merece uma maior atenção pelas variações de estilo dentro da música, assim como "Human Savage" e a derradeira "Judge Up"
A bela capa do disco também é outro ponto alto do registro, arte que leva a assinatura de Ece Bas e que ajuda a abrilhantar ainda mais este disco, figurante entre os melhores deste ano dentro do nosso underground. Não sou vidente, mas não precisa pagar de charlatão pra sacar que esse registro tá responsa e que merece uma atenção maior da galera que gosta de som pesado. Portanto, se você gosta de death metal que não fica preso ao convencional, mas que também não abandona o tradicional, esta é a banda e este é o disco pra você ampliar suas possibilidades sonoras. Ouça e espalhe!


Página da banda: Crânula

Ouça e baixe o Ep "Human Savage" aqui:

29.4.15

Chacina - O Corre (Vídeo Clipe)

A banda daqui de Goiânia, Chacina, genuína representante da GHC (Goiânia Hardcore), lançou recentemente o vídeo clipe da cantiga "O Corre". A película foi gravada num dos picos de rolê da cidade, o Old Stúdio e o hardcore/rapcore do mano Sedel & Cia
 fala de como que é o corre diário numa cidade grande e cita as fases da cena underground goiana. Pesado e papo reto sem massagem!

Página da banda: Chacina


Veja o clipe aqui:

28.4.15

Tumbero - EP Vol. 2 (2015)


Voltando a rascunhar neste infame espaço virtual, desta vez saio das fumaçelas de jah pra falar da Tumbero, banda lá de Cambuí/MG e que tem uma proposta reta de fazer hardcore cru, pesado e altamente agressivo. Em seu novo trampo, o EP "Vol.2" a banda aproxima-se muito da sonoridade do começo dos anos 90, feito por bandas como Ratos de Porão, Napalm Death e Sepultura, com guitarras bem carregadas e velocidade blast-beat que faz tremer a queixada. O disco conta com 7 ótimas cantigas, uma mescla de hardcore, grindcore e metal, valendo destacar as faixas "Se Afogando na Merda", "Congregação do Petróleo", "Insatisfação" e "Nek Mastoj, Nek Dioj" que é uma versão da lendária Stomachal Corrosion. Lançada pela Noise Discos, a bolachita é bem carregada de ótimas influências do sonoro agressivo, e claro, mostrando também o estilo brutal da Tumbero. Hardcore de letras críticas e som carregado de agressividade, vale muito ouvir e espalhar essa lapada sonora!

Página da banda: Tumbero

Ouça e baixe o disco aqui:

15.4.15

Sriba Boys (RUS) & Entre os Dentes - Split Tape (2014)


Ae, algum zé doidim que reside em algum beco frio da Europa velha entrou em contato com este sítio e mandou uma mensagem que eu não entendi diacho de nada, mas veio um linkzinho anexado que fez a alegria deste podre ser humano falido. O cabra que estava identificado pela graça de Maksim, mandou o bandcamp da Never Again Records, situada em Rostov On Don (Rússia), e neste endereço continha/contém a split demo da russa Sriba Boys e a goianiense Entre os Dentes. O split foi lançado em julho do ano passado em formato de fitinha k7 e este que aqui rasura só conhecia duas cantigas de cada banda deste respectivo Split. Passei os dias subsequentes ouvindo o rolinho digital sonoro para que eu pudesse dar algum testemunho de minhas impressões auditivas sobre este registro.
Pois bem, referente ao som destes bons cabras russos, posso dizer que é uma ótima mescla de hardcore oitentista e fastcore, algo como se fosse o Cro-Mags do "The Age of Quarrel" junto com o Negative Approach do "Tie Down" ambientado num frio lascado e tendo que acelerar mais os instrumentos pra esquentar os corpos e suportar a deprê-gelo-cinza que a temperatura negativa causa.
Já a parte goianiense da parada já é bem conhecida de meu paladar e eu só confirmei o que boa parte da galera do subterrâneo "lado-b" diz pelos becos dos rolês podres, que a Entre os Dentes é a melhor banda de hardcore/crossover deste nosso underground pequizeiro na atualidade, com um entrosamento e energia que deixa qualquer cyco-possessed com os cabelos da venta em riste. Vitim, Urbano, Aurora, Gordim e Ventana não faltaram as aulas do Excel e Rose Rose, e lá, nas didáticas de circle pit aprenderam desde amarrar o Flight com a linguaça pra fora até soltar venenosos riffs pra vagabundagem ficar piruetando com o tronco cervical até atacar a labirintite. Destaco as ótimas cantigas "Intro Corrosiva + Sem Nome", "Oração Capitalista" e "Você é seu Estado", mas vale ressaltar que o registro é uma maravilha destes tempos, uma espécie de "Banned in Palácio das Esmeraldas", sangrando gambés e coronéis da politicagem goiana. Algumas cópias estão pra desembarcar por estes lados de cá, entón é ficar atentx e pegar um exemplar deste split-delícia. Ouça!

Página da banda: Entre os Dentes

Ouça e baixe o "Split Tape" aqui:

10.4.15

Neurotóxico - Web of Terror - Demo (2015)


Neurotóxico é uma banda de Death Metal/Thrash Metal da nova safra de Brasília/DF, surgindo no ano de 2013. Formada por um quinteto (que passa léguas de ser o Violado) composto por Gabriel Mosna (vocal), Guilherme Lee (guitarra), Pedro Azoth (guitarra), Vinicius (baixo) e Mateus (bateria), este bons diplomatas lançaram neste mês de março o seu primeiro registro, a demo "Web of Terror".
O disco conta com 9 cantigas, quase todas em inglês, com exceção da faixa "Teias do Terror" que é cantarolada em português. Destilando técnica e referência à velha escola do metal extremo, a bolachinha exala enxofre do começo ao fim, valendo destacar as ótimas composições que deixam o ambiente em que se ouve bastante negativo. Ouça com todo o ódio acumulado dentro de si a maravilhosa "Apocalyptic Warfare" e esteja com as articulações do pescoço bem trabalhadas quando for escutar a infernal "Tales of Morbid Brains", pois essa demo me passou a plena sensação de estar andando em campos vastos do cerrado com desprezo da vida comum e amor pleno ao metal e pela vida torta dx headbanger. Aqui é uma espécie de fusão de Possessed e Sodom feito na quentura e baixa umidade do centro deste país, quebrando sempre os padrões e os valores dessa sociedade podre. Pra ressaltar ainda, um álbum como esse é muito importante para a cena do som extremo e pra manter a tradição da região Centro-Oeste de sempre lançar ótimas bandas de death metal/thrash metal. Gravação impecável, e é sempre um prazer deparar-se com trabalhos dentro deste nosso underground com tamanha qualidade, vale muito ouvir, conhecer a banda e adquirir material. Aqui está um ótimo lançamento deste ano! 




Página da banda: Neurotóxico




Ouça e baixe a demo "Web of Terror" aqui:

8.4.15

Negative Side - Decadent Harmony - DemoTape (2015)


De volta por aqui pra apresentar mais uma nova banda da cena lado b (obscura) deste subterrâneo sonoro. Falo da incrível Negative Side, formada pelos bons cabras Júlio (vocal), Sandro (guitarra), Rafael (baixo) e Rodolfo (bateria) e que soltou no começo desse ano a boa demotape "Decadent Harmony", registro esse que mescla d-beat, crust e noise punk de uma forma decadente e com fortes referências à Discharge, Doom, Disclose, Warcry e demais semelhanças sonoras. Repleto de reverbs que fazem você voltar pra atmosfera oitentista de rebite e enormes moicanos, o registro conta com 5 cantigas (todas em inglês) que basicamente abordam o caos social instalado nessa falida sociedade tradicional, destacando as músicas "Urban Plague", "Negative Dide" (que conta com a participação de Bonga do Fear of The Future), "Decadent Harmony" e "Chaos", ou seja, gostei muito do registro, da sonoridade e das composições que transmitem uma melancolia que é capaz de deixar aquele que ouve com a áurea baixa. Vale citar também que esta bela capa da demo leva a assinatura de Andric Matocanovic e que a fitinha foi lançada pela Unleashed Noise Records e In Grind We Blast Records. Portanto, se você gosta de som que explora a famosa pegada do "cavalo-manco", fala de todas essas guerras que acontecem em nosso cotidiano e que expõe a anti-música como vivência própria, este é o som e esta é banda que merece ser ouvida, consumida e repassada para outras mentes tortuosas. Trampo foda!

Página da banda: Negative Side

Ouça e baixe a demotape "Decadent Harmony" aqui:


1.4.15

Lo-Fi - Love Songs Vol.1 (2014)


Fala galera doida que eu acho que ainda lê estes tortos escritos, apesar da falta de atualização constante por aqui, de vez em quando eu volto pra atrapalhar a sua vida pregressa e lascar com seus planos de um objetivo mais sereno e longe desse submundo do podre underground. E não é segredo que eu sou um mero admirador do triêto safado que é conhecido pela graça de Lo-Fi, sim, esta banda possui algumas peculiaridades que me ganham a cada lançamento de material ou película visual. Desta feita apresento ao grande público (#risos) o mais recente e maravilhoso trampo deste conjunto de cantiga bagunçada, intitulado "Love Songs Vol.1" e que teve um esquema vitorioso naquela parada de financiamento coletivo do Catarse. Tá, eu não ajudei por conta do constante uso de drogas e bebidas baratas, mas acompanhei de perto (dentro do submundo virtual, claro) e desde a divulgação dessa magnífica capa, fiquei com uma coceirinha de ansiedade no foba pra ouvir as cantigas. 
A bolachita, composta por 13 músicas é uma miscelânea vagabunda, descompromissada, autêntica e deliciosa de hardcore cru, punk rock e garage rock-doido com letras desgarradas de temas tradicionais que este nosso underground costuma abordar. Por aqui o amor, relacionamentos furados, curtição jovial e desilusões amorosas são enfatizadas em cantigas rápidas, boas pra ouvir em reuniões de amizades e consumos significantes de cana. Talvez você estranhe a qualidade sonora, mas é que o esquema todo foi gravado em mono e passa aquela sensação de tá rolando no "toca fita do meu carro", coisa boa de ouvir com as boas amizades e bebendo uma quantidade significante de cana. Com participação de Mozine nas faixas "Me Leva Pra Sua Casa" e "Implorar é Amar", o redondo com o furico no meio foi produzido por este mesmo raparigo citado e mixado por Chuck Hipolitho, dando um requinte-maravilha pra sonoridade.
Agora falando das minhas impressões, digo que gostei muito do disco, pois ele não segue a mesma linha dos lançamentos anteriores da banda, dessa vez mais cru e direto, do jeito que gente sebosa como eu gosta. Cantigas rápidas como "Camila", "Wait for Jennifer", "Sweet Like Cotton Candy" e "Brenda" me agradaram tanto quanto as mais cadenciadas "Suspirando baixinho ela vai se deitando", "Amar é melhor que viver" e "Meu futuro depende de você", uma boa mescla de estilos e pegadas para um disco muito bem feito e conduzido. O registro é um bom petardo pra você que gosta de som sem compromisso, uma ótima referência pra quem pensa em montar banda e viver essa canalhice de ensaios, gravações, shows e todas essa raparigagem doida. Discásso que recomendo pra qualquer pessoa que queira desorientar ainda mais o juízo. Ouça, espalhe, presenteie, compre!

Página da banda: Lo-Fi

Ouça e baixe o disco "Love Songs Vol.1" aqui:

26.3.15

Noskill - Não Deixaremos Que Nos Escondam - EP (2013)


Aqui neste tosco espaço, sempre programo pra rasurar sobre bandas que eu gosto, mas por conta de algum infame desvio no juízo, acabo esquecendo de apresentar algumas preciosidades deste nosso subterrâneo sonoro. E com a Noskill não foi diferente, mas ainda bem que consigo consertar alguns erros, e eis que finalmente consigo rabiscar algo sobre esta incrível banda lá de João Pessoa/PB.
Conheci a banda por conta de algum flyer de show divulgado por este submundo virtual, e resolvi ir atrás pra ouvir o som e conheci uma espécia de demo que vinha com três sons, chamado "Reconstruir". Passado algum tempo, deparei-me com o novo trampo dessas mulheres, o maravilhoso EP "Não Deixaremos Que Nos Escondam". A bolachita conta com 6 cantigas do mais nervoso punk/hardcore, ora com uma pegada melodiosa, ora com uma pegada mais fast, muito influenciada por bandas como Abuso Sonoro, Bad Religion, Los Crudos, Bambix, e claro, as boas bandas do subterrâneo nordestino, como xReverx, Triste Fim de Rosilene e The Renegades of Punk. Com um posicionamento libertário, as letras abordam o cotidiano de uma forma contundente, sempre passando a mensagem de luta e persistência perante à uma sociedade conservadora e um sistema que sangra xs oprimidxs. Destaco as músicas "Montoia", "Rebeca", "Não Deixaremos que nos Escondam!" e a derradeira "MZR" (instrumental lindão). Vale citar também o quanto é massa ouvir o disco e perceber o bom encaixe entre o punk/hardcore tradicional e o hardcore melódico noventista. A maravilhosa capa do registro leva a assinatura do incrível artista Wendell Nark, deixando o registro mais requintado, e antes que eu me esqueça, esta baita banda é composta atualmente por Thuany Asevedo (vocal), Aline Myrtes (guitarra) e Camylla Oliveira (baixo), não possuindo baterista fixa no momento. Portanto, pare de reclamar e conheça mais uma ótima banda deste underground lado b (caso você não conheça ainda) e dê mais desgosto pra família tradicional!



Página da banda: Noskill

Ouça e baixe o EP aqui:


20.3.15

Discos que pioraram a minha vida #04 - Hang The Superstars - Still Addicted


Depois de vender umas vuvuzelas e arrancar um troco dos coxa na passeata que mais pareceu uma reunião elitista pra ver amistoso da seleção, volto neste seboso espaço virtual pra dar continuidade a tosca coluna "Discos que pioraram a minha vida", desta vez chego pra relatar um pouco sobre o álbum "Still Addicted" da banda Hang The Superstars, lenda do underground de Goiânia. 
Este maravilhoso disco eu tive contato através de um amigo que emprestou e disse que era necessário ouvir aquele som, que segundo ele era diferente de tudo que se fazia em Goiânia e em boa parte do submundo sonoro nacional na época. Bom, peguei o disco, coloquei na mochila e fui ouvir só uns dois meses depois do empréstimo consignado de forma voluntária, vacilo grande meu, pois quando resolvi dar uma depurada no ouvidor com aquela bolachita, o esquema deu uma paulada da molêra mais forte que haxixe indiano. Na época eu sabia porra nenhuma de garage rock, surf music e coisas do tipo, e nesse registro da Hang reunia tudo isso de uma forma bem despretensiosa, amadora e intensa. Os vocais femininos, as letras meio-chiclete e a sonoridade vagabunda faziam do bagulho algo bem hipnotizante, e este disco foi bem responsável pra que eu fosse buscar muita coisa relacionada ao gênero, me fez também querer ir e consumir mais da contracultura goianiense. Lembro que a primeira vez que vi a Hang The Supertars ao vivo foi uma chapação só, com muita doidice, cueca suada, quilos indo embora em rodinhas toscas e boas amizades de rock. Através da Hang ( algo mais próximo da minha realidade de rolê na época) eu pude perceber que pra acontecer bastava fazer, mesmo com o punk ensinando muito sobre todo esse esquema do faça-você-mesmx, pra mim era tudo muito teórico ou no máximo eu podia ver a prática do D.I.Y quando meu irmão ensaiava no quarto dele. Cantigas como "Shark", "You Make Me Down" e "Kiss" por um bom tempo foram musicólas bastantes executadas em meu cômodo-dormitório podre. 
O disco, a banda e tudo que girava em torno dela foram coisas muito incríveis que eu pude ter contato e que mudaram a minha realidade na época, já que eu pude ampliar as possibilidades e eu passei a acompanhar mais os fests podres da cidade e boa parte da produção underground daqui. Sou grato por essa banda ter existido e ter estragado a minha vida!ng 

Download:
Hang the Superstars - Still Addicted (2001)


Ouça o disco "Still Addicted" aqui:

19.3.15

Kallangoz - Babacas no Mosh - EP (2015)



Kallangoz é uma banda de hardcore/crossover que está na ativa desde o finado ano de 2012, e que saiu dos buracos sujos da cidade de Paracambi/RJ. Formada pelos bons bacharéis Lucas (vocal), Everton (cordas finas), Wellison (cordas grossas) e Alef (bateria), estes embaixadores da sinfonia da desgraça soltaram o material físico do EP "Babacas no Mosh" no começo deste ano. Com uma forte influência de Ratos de Porão, o disco é uma mescla barulhenta de crossover, hardcore e metal punx, gravado de forma independente, ao melhor estilo faça-você-mesmx, do jeito que o cão gosta e sociedade odeia. A bolachita conta com 10 boas cantigas pra arrastar o pé no mosh, mas como diz o título deste registro, não seja um babaca. Simples e direto, as músicas possuem uma sonoridade calcada na velha escola, aquele esquema da bateria-cavalo-manco aplica-se bem por aqui, pra headbanger de calça colada não botar defeito e sentir a chicotada sonora bem no meio das costas ôca. Destaco aqui as músicas "Lavagem Cerebral", "Babacas no Mosh", "Vivendo Uma Vida Vadia", "Profissional da Fé", "Punk Thrash" e "Anti-Cristão". Pra você que costuma deixar o seu cabelo amanteigadx (aka sem lavar), decepciona pais e familiares por gostar mais das ruas/bares do que da faculdade/trabalho, possui tatuagens satânicas, fuma droga ou é tortx e rejeitadx de alguma forma pela família tradicional, este belo disco é pra você "piorar" a sua vida. Recomendo ouvir este cospe-fogo-sonoro sapecando a lomba com navalha. Ouça e espalhe!

Página da banda: Kallangoz


Ouça e baixe o EP "Babacas no Mosh" aqui:

12.3.15

Vídeo Clipes / Documentários Viciantes da Semana #03





Este seboso sítio vota com a engavetada coluna "Vídeo Clipes / Documentários Viciantes da Semana", disponibilizando para este público-tosco-cativante boas produções do audiovisual deste subterrâneo sonoro. Coloque alguma gotinhas de Moura Brasil pra limpar e desavermelhar as vistas e simbora pra ver estas maravilhosas películas que vamos mostrar nesta postagem.


Começo aqui com o clipe "Alianças do Medo" da banda Comedores de Lixo. O vídeo foi lançado no dia 8 de março e aborda o tema da violência contra a mulher, denúncia para um grave problema que afeta milhares de mulheres e que não pode passar desapercebido do nosso cotidiano.




No episódio de encerramento a Pé de Macaco S/A apresenta seis bandas inéditas (Abdicated, Luta Civil, Ironias, Dead Human, Orange Disaster, The Fingerprints) na série fizeram apresentações memoráveis no Parque do Bicão em São Carlos-SP, em mais um evento gratuito e aberto. Se você não estava lá e quer saber como foi, ou se estava e quer relembrar, tá no ar o Metal Punk Attack #8.



"Subversão Underground" é um vídeo/documentário feito em João Pessoa/PB que mostra intervenção de ideias e músicas realizada no Teatro Cilaio Ribeiro (antigo Okupa Punk). O evento contou com bandas anarcopunks, de hardcore e demais estilos. Confira:


"Manpiguari" é um mini-documentário sobre o novo disco da banda Ressonância Mórfica. Neste vídeo os integrantes da banda e pessoas importantes da cena underground goianiense explicam a construção do disco, as músicas e a importância da banda para o cenário do centro-oeste e nacional.


E pra finalizar disponho aqui uma maravilhosa película da incrível banda Lo-Fi. A cantiga em questão é "Ingrata (ela é o meu protetor de tela)" e está presente na nova bolachita da banda, o Love Songs Vol. 1, disco esse que é bem canalha e que este blog está enrolando pra rasurar. Veja o vídeo.


É isso, algum dia voltamos pra reviver esta seção. É o que esperamos.

10.3.15

TEST (SP) em Goiânia no evento "SEXTA-FEIRA 13"



Insetu's Produções apresenta:

SEXTA-FEIRA 13

Com as bandas:

TEST (SP) - http://www.testdeath.com.br/

Caligo (DF) - https://caligodoom.bandcamp.com/

Entre os Dentes (GO) - http://entreosdentes.bandcamp.com/

Murder (GO) - https://www.facebook.com/pages/Murder/979203415428551

Data: 13/03/2015 (Sexta-Feira)
Horário: 19 Horas
Valor: R$ 10,00
Local: Old Stúdio (Av. Araguaia, 603, Centro - Goiânia-GO)
Link do evento: https://www.facebook.com/events/1544675375805107

Apoio: Insetu's Zine - http://insetuszine.blogspot.com.br/
            Hocus Pocus - https://www.facebook.com/hocus.loja

6.3.15

Discos que pioraram a minha vida #03: Dead Fish - Sonho Médio





Eu tenho certeza que esse disco aqui entortou a vida de muita gente por aí, e comigo não foi diferente. Conheci a Dead Fish através da cantiga "Anarquia Corporation", mas eu só fui ouvir um disco completo mesmo quando eu tive a grata oportunidade de ter contato com o "Sonho Médio",  mesma época em que eu tava ouvindo muito Dance of Days e que como eu já tinha dito, abriu um leque de opções sonoras em minha mente. 
Esse disco conseguiu arrebanhar minha pessoa principalmente por conta das letras, claro que a sonoridade também foi cativante, e numa época em que eu já tinha uma consciência negra bem ativa por conta da cultura Hip Hop, me deparei com a cantiga "Mulheres Negras" e toda aquela parada de ler Malcolm X, Panteras Negras, Angela Davis, Mumia Abu Jamal, Zumbi, tudo veio a tona de uma forma muito intensa e digo que este foi um dos discos que mais ouvi nessa breve-longevidade-tosca-humana. Letras em português, causa indígena, terceiro mundo, vida fudida, skate, hardcore muito mais próximo daquela minha realidade descompromissada. Não lembro qual foi o primeiro show que eu vi deles, mas sei que foi um dos primeiros que me lasquei de verdade em rodas e moshs, algo pleno para um jovem tosco que começava a ampliar o horizontes para as causas e os problemas do cotidiano. Músicas como "Sobre a Violência", "Paz Verde", "Sonho Médio", "Fragmento" e "Canção Para Amigos" eram obrigatórias nas reuniões joviais que aconteciam em alguma residência do Parque Atheneu, Zona Show de Goiânia. Assim como o rap, o hardcore teve uma função educacional melhor que meus pais em minha formação, fora dos padrões estabelecidos e contestadora desde sempre. 
Dead Fish é uma banda que eu respeito muito, apesar de não acompanhar mais os derradeiros lançamentos dos cabras, e digo que esse disco é um dos pilares para a sua deterioração sonora dentro do underground. Se não conhece, tá perdendo muita coisa!

Ouça o disco "Sonho Médio" aqui:

Devir - Sem Encaixe (2014)


Devir está na ativa desde 2013 e é da cidade de Santa Cruz do Sul/RS. Formada por Yanaê (vocal), Marcel (guitarra), Felipe Zaka (baixo) e Gibran (bateria), a banda lançou em julho do ano passado o seu primeiro registro, o disco "Sem Encaixe". Contendo 7 cantigas na bolacha, a sonoridade é uma excelente mescla de punk, hardcore, post-hardcore, emo e pitadas de lo-fi, fazendo do disco um dos ótimos lançamentos deste nosso underground lado-b. Com temas que abordam desde a fuga pelo padrão estabelecido pela sociedade por parte da mulher até a legalização da prostituição, o ideal libertário / igualitário é presente em toda a construção deste registro. Vale citar aqui o bom vocal da Yanaê, as belas linhas de guitarra, bateria e baixo que servem de base e força para a construção melódica, com boas referências à influência da sonoridade noventista. Falando das músicas, destaco as boas "PL 98/2003", "Escafandro dos Lobos Uivantes", "Sem Encaixe", "Vidas Individuais" e "Forgotten", pois foram as que mais me agradaram, pelo bom encaixe de cantoria, melodia e letra, mas recomendo ouvir a bolachita por completo, pois o esquema é forte e intenso, hardcore/punk sincero e que consegue repassar a mensagem de forma bem honesta, simples e direta. Referindo ao material físico, o registro é uma preciosidade deste submundo sonoro, com artes colaborativas de artistas como Polim Moreira, Cristiano Onofre, Ernesto Sena, Ana Clara, Kamila Lin, Jaime Castro, Daniel Hogrefe e Duda Maria, fazendo do disco um artigo indispensável para xs colecionadores de materiais subervisos / DIY / punk-hardcore. Se você procura por bandas novas, eis aqui uma ótima dica pra abrir e / ou ampliar as possibilidades dos bons pensamentos e das atitudes que possam contribuir de forma positiva para este nosso refúgio libertário. Disco massa, ouça, baixe, compre e espalhe para suas amizades!

Página da banda: Devir

Ouça e baixe o disco aqui:

2.3.15

Barulho no Beco apresenta: Quero Debochar


Na concepção deste sítio, o nordeste é o melhor lugar pra pirulitar de vez a mente neste submundo da produção contracultural, e nessa levada doida toda existe o Barulho no Beco, produção itinerante vindo diretamente das bocas de lobo e que espalha a marginalidade punk pelos canos sujos da quente Mossoró/RN.
Pois bem, desta vez a galera de lá resolveu "Debochar Legal" e resolveram reunir a fina flor do Tropical Punk, com o surf-esquizofrêniko da Jubarte Ataca (quem sofre de reumatismo tá lascadx com a agitação-delícia desta banda!) de um lado, com a doidice punk-surf-sujo da Mahatma Gangue (burguesia-noujo em choque e dreads-de-ceroto na diversão podre) do outro lado e a maravilhosa The Renegades of Punk com o que há de melhor na cantiga feroz produzida neste subterrâneo sonoro. 
Essa negada boa ainda produziu um magnífico vídeo-chamada para este galante evento, numa perfeita adaptação de parte de um clássico clipe da Twisted Sister, Tela Class com sotaque e dialetos que aprendi a gostar com a plena convivência de vó e mãe, boas heranças de Exu/PE. 

Algum dia desses eu dou um nó nos compromissos do cotidiano e me mando de vez para os lados de lá. O submundo sobrevive, e bem!

Barulho no Beco Apresenta:

QUERO DEBOCHAR

Com as bandas:

The Renegades of Punk
Jubarte Ataca
Mahatma Gangue

Data: 15 de março - Domingo
Local: Praça da Aeróbica - Mossoró/RN
Horário: 19 Horas
Contribuição Voluntária


27.2.15

Discos que pioraram a minha vida #02: Dance of Days - 6 First Hits



Nunca citei neste sítio a importância que a Dance of Days teve em certo período de minha tosca vida. Pois bem, nunca é tarde pra reparar falhas e estou aqui pra colocar um silver-tape neste lapso de memória. 
Bom, pra começo de conversa digo que a citação de meu irmão será uma constante nas linhas desta podre "série", pois como já relatei, o acervo underground deste homem é cabuloso e devastador. Falando da banda e de como conheci, lembro que na época eu já tinha contato com alguns sons do hardcore nacional, isso já em 1999 ou por volta disso (pra mais ou menos), e que eu fuçava pra caralho os materiais do cabra conhecido por aqui como Bacural, sempre depois das aulas e com a peleja de minha mãe pra que eu não ficasse naquelas de ouvir sons que iam contra a ordem de deus. Claro que eu ignorava e ficava ali no inferno-calorento do quarto por horas, e numa dessas eu me deparei com o primeiro registro da Dance of Days, o "6 First Hits", disco que foi um divisor de águas paradas no rumo de minhas amizades, rolês e busca de novas bandas. Lembro que eu colocava o compact disc e rodava por horas num 3 em 1 da CCE com um aparelho de CD embutido como periférico, tão lascado que tinha que dar uns murros pra poder funfar de maneira satisfatória. Todas as cantigas deste disco soavam como algo muito incrível pra mim, desde a pegada mais melodiosa até a voz do Nenê Altro. Na época eu sacava porra nenhuma de inglês e o esquema de pirar era mais no lance sonoro mesmo, o vocal intenso e gritado, um hardcore apaixonante que abriu minha mente para outras possibilidades. Naqueles tempos idos, termos como hardcore melódico, emo e afins eram desconhecidos e fui sacar disso tudo um pouco depois. Posso dizer que músicas como "Fallen" e "Plague" eram as que eu mais gostava, além de um trote ou algo do tipo, contido do meio para o fim da última faixa. Cito também que a partir de então passei a acompanhar intensamente a banda até um certo período e os lances do Nenê Altro, pois eu pirava muito na articulação do cara, do que ele escrevia, do selo Teenager in a Box, do Antimídia, das bandas que conheci depois como a Sick Terror e a Personal Choice e por incrível que pareça, eu jamais imaginaria que eu fosse curtir sons instrumentais e me deparar com a Hurtmold e com as produções do M. Takara, baterista desse disco e que é um raparigo renomado dentro do gênero que citei.
Já ouvi muita coisa de muita gente sobre o meu gosto pela banda, nunca liguei, pois sempre pensei que o que valeu mesmo foram as músicas, letras e o ativismo dentro do underground que fez, de certa forma, eu estar aqui. Acho que é isso, faltava um post digno pra essa banda, que estragou a minha de uma forma muito positiva.

Obs.: Postagem dedicada ao Felipe, Vasco e Bel


Ouça o "6 First Hits" aqui:

26.2.15

Signo XIII - Fata Morgana - EP (2015)



Pós Punk de alta qualidade diretamente de Brasília/DF, sim, desta vez quem invade este seboso espaço virtual é a banda Signo XIII. Com o  EP "Fata Morgana" lançado no começo deste ano, a banda formada por Felipe Rodríguez (voz e guitarra), Douglas Almeida (baixo) e Marcelo Melo (bateria) encerra a trilogia que começou com o EP "El Verdugo y La Vendetta" lançado em 2012 e teve sequência com o EP "Espectros de Ferro" até concluir-se nesta bolacha que aqui rascunho.
O disco "Fata Morgana" conta com 8 belas cantigas que exploram de forma muito original e forte aquele post-punk feito nos anos oitenta, o ambiente gótico e possui inserções da própria sonoridade punk nas músicas, com reverbs, exploração de riffs e a densidade do instrumento de 4 cordas. Solidão urbana, erotismo, tempo e amizade são alguns temas que você encontra nas letras, muito bem construídas e que conseguem transmitir o real sentimento ligado entre melodia/escrita. Destaque para as músicas "Tempo Rival", "Valentina" (pela pegada mais acelerada e pelo contexto da história cantada), "Raphael", "Disorder" (ótima versão da cantiga do Joy Division), "Dente de Ouro" (pela pegada Surf Music") , "Belvedere" e faixa oculta "Tainted Love" da Gloria Jones. 
Posso dizer sem ter medo de errar que aqui está um ótimo e importante disco do gênero lançado neste território, que contribui muito para o fortalecimento do underground nacional e fortalece o post-punk feito neste país. O disco foi gravado entre a copa do mundo e as eleições de 2014 nos estúdios Núcleo Base e Salinha Records e foi lançado pelos selos Two Beers Or Not Two Beers e Lo Fi Noize Records. A belíssima capa leva a assinatura do cabra Zakuro Aoyama. Sonoridade chapante, introspectiva e decadentemente dançante. Fodasso. Ouça e espalhe este ótimo registro do subterrâneo sonoro lado b!



Página da banda: Signo XIII

Ouça e baixe o disco aqui: